domingo, 28 de julho de 2013

A cadeira, o quarto, o humilde e o escuro


Sentado na cadeira humilde do meu quarto escuro,
Fecho os olhos para não poder ver.
Contenho a fala,
Para que não expresse o que a mente impressa.
Permaneço sentado,
Pois as pernas são insignificantes,
Não me alicerçam mais...

Sentado na cadeira humilde do meu quarto escuro,
Mesmo com olhos fechados,
Ainda vejo as criações de minha mente inventiva,
Ainda sinto,
O que o tato da pele não me permite sentir.
Permaneço centrado,
Pois a mais breve distração me faria cair.
Espalhando-me.

Sentado na cadeira do meu quarto, humilde escuro.
Não me tem mais.
Não me faz mais.
Não existe mais.
Não lhe sinto, nem lhe vejo mais.
Apenas existe.
Impoluto.
Insignificante.

Sentado na cadeira, do meu quarto humilde, escuro.
Olhares se voltam para mim.
Agora vejo.
Agora tenho falado.
Agora sinto...
Sinto, que minha tão humilde presença, num tão humilde quarto, dum tão humilde escuro, se faz notada, percebida, avaliada, mérito-merecida.
Estou de pé. Já ando,
Em volta da cadeira humilde do meu quarto escuro.


 
Autor: Rone Britto

2 comentários: