quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Complexo gramatical


Cansei de metonímia.
Metáfora é mais uma criação!
Antítese é o início dos fins de minhas perturbações...
Gosto de desgostar. Esse é meu paradoxo.

Passo anos pensando na complicação da hipérbole,
Quando me pego de cabelo em pé por causa da personificação.
Penso com minha mente acerca do pleonasmo
E chego a um eufemismo conclusivo: Posso ser um imbecil!

Perco-me mais ainda nesta gradação
E não vejo com bons olhos a sinestesia.
Complicado, como soletrar o-n-o-m-a-t-o-p-é-i-a. Ufa! Quase não saía!
Penso, persisto, paro e prossigo por uma preocupante aliteração.

Quando é uma anáfora,
Percebo uma repetição.
Percebo uma complementação.
Percebo mais uma complicação.

E a mente não funciona mais.
E os dedos não suportam mais.
E a gramática agradece por ser polissíndeto.
Ou assíndeto: policiando, avaliando, bloqueando.

E mesmo reconhecendo toda essa complexidade,
Esse fino trato, essas regras, esse universo.
Não há quem viva sem ironia.
Acho isso terrível! Mesmo assim, amo.


Autor: Rone Britto

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